O risco invisível dos sistemas em COBOL

Quando se fala em risco envolvendo sistemas legados, a conversa normalmente gira em torno de tecnologia: linguagem antiga, falta de modernidade, dificuldade de integração.

Mas, na prática, o maior risco dos sistemas em COBOL hoje não é técnico. É humano.

Sistemas que funcionam, projetos que cumprem objetivos… até alguém sair

A maioria dos sistemas críticos escritos em COBOL processa bilhões em transações, roda há décadas com alta estabilidade e é constantemente ajustada para atender novas regras de negócio.

O problema é que, em muitas empresas, o conhecimento real sobre a funcionalidades desses sistemas e até mesmo sobre a própria plataforma está concentrado em poucas pessoas. E elas estão próximas da aposentadoria.

Mas enquanto tudo funciona, o risco passa despercebido.

Por que esse risco é invisível?

Porque ele não aparece em dashboards técnicos: o sistema responde, o batch roda, o banco de dados está íntegro…

Mas perguntas como estas raramente têm respostas claras:

  • Quem consegue manter esse sistema daqui a 5 anos?
  • Quanto tempo leva para um novo profissional se tornar produtivo?
  • O conhecimento está no código… ou na cabeça de alguém?

Modernizar sem pessoas não reduz risco

Muitas iniciativas de modernização falham por um motivo simples: tentam trocar tecnologia antes de resolver o problema da capacitação.

Migrar, encapsular ou integrar sistemas COBOL exige entendimento profundo do negócio, depende de leitura e interpretação correta do código, demanda profissionais que saibam por que o sistema existe — não apenas como ele roda.

Sem pessoas preparadas, a modernização aumenta o risco, em vez de reduzi-lo.

O verdadeiro risco não é o COBOL

O risco real é não ter um processo contínuo de formação, tratar conhecimento como algo que poderá ser absorvido em quatro semanas e agir quando uma crise já está instalada.

Empresas que lidam bem com sistemas em COBOL não são as que “se livraram dele”, mas as que investiram na renovação da força de trabalho de forma planejada.

Conclusão

COBOL não é um problema técnico a ser eliminado. É um ativo crítico que precisa ser sustentado por pessoas capacitadas.

O risco invisível não está no código. Está na ausência de uma estratégia clara para quem vai mantê-lo no futuro.